22 de setembro de 2016


Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes?
por
Charles H. Spurgeon

Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo. A igreja abandonou a pregação ousada, como a dos puritanos; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.
Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela? “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15) — isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: “E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho”, assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais: “Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (Ef 4.11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.
Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? “Vós sois o sal”, não o “docinho”, algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: “Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lc 9.60). Ele estava falando com terrível seriedade!
Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: “Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!” Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: “Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!” Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos. Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: “Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da recreação legítima, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos”. Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles “transtornaram o mundo”. Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos.
Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.


17 de maio de 2016

"VOCAÇÃO PERIGOSA: OS TREMENDOS DESAFIOS DO MINISTÉRIO PASTORAL",

"O propósito último da Palavra de Deus não é informação teológica, mas transformação de coração e vida. O conhecimento bíblico e a perícia teológica não são, portanto, o fim da Palavra, mas um meio ordenado por Deus para um fim, e o fim é uma vida radicalmente transformada. Isso significa que é perigoso ensinar, discutir e fazer exegese da Palavra sem esse alvo em vista. Esse deve ser o alvo de todo professor de seminário. Essa deve ser sua oração por cada um dos seus alunos. Isso deve levá-lo a fazer apelos pastorais regulares aos alunos. O seu significado é o reconhecimento de que o futuro ministério desse aluno nunca será modelado por seu conhecimento e habilidade somente, mas também, inevitavelmente, pela condição do seu coração. Será que teremos cumprido a nossa tarefa de treinar se produzirmos gerações de diplomados que têm enormes cérebros teológicos, mas, tragicamente, corações enfermos? Não devemos manter juntas a instrução teológica e a transformação pessoal? Não deveria cada professor do seminário ter amor pastoral pelos seus alunos? Todo mestre não deveria anelar por ser usado por Deus para produzir um amor crescente por Cristo em cada um dos seus alunos? Estou convencido de que a crise de cultura pastoral frequentemente começa nas salas de aula do seminário. Ela inicia com uma maneira de lidar com a Palavra de Deus que é distante, impessoal, baseada meramente em informações. Ela começa com pastores que, em seus anos de seminário, se tornam bastante satisfeitos em manter a Palavra de Deus distante do seu próprio coração; começa com matérias que são acadêmicas sem serem pastorais; começa com cérebros se tornando mais importantes do que corações; começa com pontuações em testes sendo mais importantes do que caráter." — (Paul Tripp, "Vocação perigosa: os tremendos desafios do ministério pastoral", p. 41-44)

16 de maio de 2016


As pessoas que vieram a conhecer a alegria de Deus não negam o infortúnio, mas escolhem não viver nele. Sustentam que a luz que brilha na escuridão é mais confiável que a escuridão em si e que um pouco de luz pode dispersar as trevas... Tudo o que o Pai tem é meu, diz Jesus. Inclusive a alegria de Deus sem limites. Essa alegria divina não elimina o divino pesar. Em nosso mundo, alegria e tristeza se excluem. Aqui, a alegria compreende a ausência de sofrimento, e o sofrimento a ausência de alegria. Mas essas distinções em Deus não existem! Jesus, o filho de Deus, é o homem das dores, mas também o homem da total alegria..." Parece loucura ou utopia para o Homem sem Deus, viver a alegria na tristeza. Assim, em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossos corpos mortais. 

16 de abril de 2016

UMA DAS MAIORES ILUSÕES MALIGNAS QUE PODEM ASSALTAR A ALMA DE UM HOMEM É A CRENÇA NO CULTO DA SUA PRÓPRIA VIRTUDE.
Dois caras se encontraram na praia e começaram a conversar. Um corcunda e o outro não. Em meio à conversa, o outro começou a elogiar o pé do corcundinha:
— Cara! Que belos pés você tem! Como são bonitos os seus pés. Eu, com pés assim, não precisaríamos de mais nada! Eu mesmo me bastaria!
Depois de meia hora olhando e elogiando os pés do amigo, este respondeu:
— E como você acha que eu fiquei corcunda assim, companheiro?
PENSE NISSO...
QUEM AMA TANTA UMA VIRTUDE SUA, ACABA VIRANDO UM MOSTRO EM OUTRAS ÁREAS DA VIDA.

28 de março de 2016

Para chegar aos céus é preciso ter leveza, se despojar dos excessos, dos ódios que insistimos em guardar; dos mortos que não permitimos serem sepultados... Que nunca seja aberto tudo aquilo que não valeu a pena, que sirva apenas como um aprendizado me ajudando compreender a minha humanidade.

24 de março de 2016

Na Graça a tribulação aprofunda e enraíza a esperança.


A tribulação, quando vivida na esperança da glória de Deus, cria e forja o caminho que nos fará mais forte, mais audazes existencialmente, mais perseverantes, mais experientes, mais esperançosos... Eu só aprendo a me gloriar nas próprias tribulações se meu coração se glória diariamente na esperança da glória de Deus!

19 de março de 2016

"Se és teólogo, vais orar verdadeiramente; e se oras verdadeiramente, és teólogo." (Evágrio Pôntico)