26 de abril de 2017

A CENTRALIDADE DA PALAVRA


Sobre a centralidade da Palavra na vida e culto, entendo a situação crítica que vive o evangelicalismo global e sou um dos críticos da troca desta centralidade pelos efeitos e confetes... É de envergonhar ver o que acontece por aí. A teologia reformada sempre foi muito ciosa do Sola Scriptura, a ponto de fazer isto ser refletido na arquitetura de seus templos e capelas (o púlpito ao centro, a mesa da comunhão na frente, representando o sacramento, Palavra encenada, etc.).

Por outro lado, sejamos cuidadosos: centralidade da Palavra não é forma! Centralidade da Palavra não é um púlpito de madeira, ainda que possa, formalmente representar essa centralidade. Centralidade da Palavra não é discurso. Centralidade da Palavra não é o sermão ser o elemento mais longo do culto, ainda que eu goste que assim seja.
A meu ver, a centralidade da Palavra é a exposição objetiva dela, com exegese precisa e teologia bíblica bem articulada. É a exposição que não só tem coerência teológica interna, mas tal lucidez que o crente seja capaz de mais uma vez ver a Cristo como exposto diante de seus olhos e o incrédulo ser impactado por uma verdade objetiva, que ele pode discordar, mas não poderá racionalmente negar, simplesmente por ser a verdade. Assim, combato as artes e artimanhas e prezo a verdade da exposição. O conceito de Calvino para a exposição bíblica é sintetizado em duas palavras: Brevitas et claritas.

(Dr.Mauro Meister)