20 de dezembro de 2015



NO PASSADO NÃO CABE MAIS NADA. NO FUTURO AINDA CABE TUDO



Olho para trás e sinto apenas saudades de pessoas que já foram; ou de pessoas que amo e com as quais hoje, circunstancialmente, não posso conviver. 

As pessoas que eu amava e partiram, deixaram-me saudades curadas—elas se foram, e logo as encontrarei. As que não partiram, porém com elas não mais convivo—são objeto de minha saudade. Mas é uma saudade sem passado. É uma saudade de Hoje, da companhia delas—mas sei que vivem. E sei que sou delas e elas são minhas. Já as pessoas que eu amava, e que ainda estão vivas, mas que me viram “morta” enquanto eu vivia, por essas senti coisas diferentes...

Houve as que me fizeram sentir decepção. Houve as que me fizeram sentir tristeza. Houve as que me fizeram sentir raiva. E houve as que não me fizeram sentir nada, de tão fria e distante. Essas últimas eram as que me faziam “amar o amor delas por mim”. Mas talvez eu nunca as tenha “amado”, naquele sentido profundo do amor que sente romanticamente a fraternidade. Simplesmente ficaram em algum lugar—existem como referências na memória, mas não no coração. 

E as que me fizeram sentir alguma coisa ruim, hoje já não fazem sentir nada. No entanto, as que amava, amarei para sempre. A gente de fato só ama a quem a gente ama. A gente pode até confundir os suposto amor de outros por nós com amor da gente por eles. De fato, não passa de resposta amorosa ao amor. Existe um grande conforto no amor verdadeiro. 

Ele não só lança fora o medo, mas também dá segurança para a vida. 

Quando olho para trás não lembro de eventos, de ocasiões gloriosas, de milhões de oportunidades, de aduladores, de amigos, de festas, de dias espetaculares, de sofrimentos atrozes, de nada... Lembro de gente. E, como, lembro com emoção de quem não está porque já “foi”; ou de quem não está porque não pode—esses, sem dúvida, estão—; afinal, eles são! Nesse sentido muita gente deve me achar estranha. Mas não estou tentando me fazer normal ou anormal. Estou apenas dizendo “como sou”. É assim que sou. Esqueço o que para trás fica e caminho para o que adiante de mim está. Prossigo para o alvo. Há um prêmio na perseverança. Fui conquistada para conquistar algo. Sei o que é! As estações passam. Houve coisas que poderiam ter sido diferentes, em tese. Mas é só em tese. Poderiam, mas não podiam, por isso não puderam ser. No Passado cabem todas as revisões apenas como utilidade para Hoje e Amanhã! Foi como foi. É como está sendo. Será! E poderá sempre ser melhor ou diferente! Nesse processo vivo o dia chamado Hoje, e faço-o com toda intensidade que a alma derrama sobre o momento. Quem é honesto com o Hoje, foi honesto com o passado e está sendo com futuro. Só existe Hoje. 

Por isso, o “Silvania Itaboray” de ontem não me dá a menor saudade. Eu sou Silvania Itaboray, e ontem não existe mais. Mas, pela Graça de Deus, eu estou aqui. E estou aqui Hoje buscando não temer ser transformada pela renovação da minha mente. O culto racional é a freqüente rendição da consciência pessoal à Consciência que vem de Deus como revelação que faz mudar a mente. Isso é arrependimento! Arrependimento é mudança de mente. Meta-nóia. 

Quando arrependimento não é isso, a “alternativa” é neurose do passado ou paranóia do presente e do futuro. Por isso, não lamente por mim. Chore por quem não enxerga a Graça de Deus Hoje. Chore por quem não crê em ressurreição e em vida. Chore por aqueles que querem matar a Lázaro apenas porque não podem negar a ressurreição. Chore pelos que tentam assassinar o Milagre. 

O melhor ainda está para vir. Se não for na Terra, está para vir de qualquer modo. E só mais uma coisa: se você tiver que passar pelo vale da sombra da morte, me inclua entre esses dois ou três que estarão com você.
Quem já andou por lá, se sobreviveu, aprendeu a maior de todas as lições: a solidariedade com os moribundos. 

Lembre: NO PASSADO NÃO CABE MAIS NADA. NO FUTURO AINDA CABE TUDO!.(Adaptação do texto de Caio Fabio)