26 de julho de 2012

Quem Pode Ainda Entender O Significado Do Chamado De Jesus?



"O vento sopra onde quer, não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim, é todo o que é nascido do Espírito"—são palavras de Jesus que parecem nos apavorar. E por que? Porque ninguém quer ficar sem saber para onde vai... e ninguém quer confiar a vida a Deus, de fato. Por que você acha que videntes, profetizas futuristas, bruxos, astrólogos, e agoureiros têm tanto poder? Ora, é porque todo mundo quer saber o futuro! O justo, porém, viverá, a cada dia, apenas pela fé! A questão, no entanto, não é saber para onde se vai. A única coisa que interessa é a quem estou seguindo. Ora, nesse caso, não se trata nem mesmo de buscar seguir algo visível, mas de se deixar levar pela leveza do intangível, sem medo, e com total confiança. Hoje em dia ninguém quer seguir mais o vento, se é que algum dia já se aceitou isto. Para uma mente religiosamente estruturada, mesmo quando a pessoa se diz 'pentecostal' ou do 'espírito', no entanto, ainda assim, acaba por tentar 'sistematizar o Vento, o Espírito, e a Vida. O interessante é que Jesus é o Caminho, e seguí-lo é a própria certeza de para onde se está indo. No entanto, Ele chamou para Si mesmo o direito soberano de nos conduzir com o mistério do vento; e cumpre a nós apenas seguir em verdade, pois o alvo da jornada é Vida no Pai. O Caminho não diz "vai"... O Caminho diz "vem". "Ninguém vem ao Pai se não por mim". Portanto, a estrada é no chão da vida, mas o destino não se realiza fora...em algum lugar onde 'vai' seja próprio; mas sim no único ambiente onde 'ir', é 'vir'; e onde 'chegar' significa 'entrar'; e onde o destino não cabe em nenhum mapa, pois é um 'ir' que é 'vem'; e é uma vereda da vida que é uma-não-estrada, posto que é mergulho no Pai: anda-se na Terra, mas o ambiente já é o amor do Pai. "Vós sabeis o caminho..."—disse Jesus. Eles responderam: "Como saber para onde vais, sem saber o caminho?”A resposta todos conhecem: "Eu sou o Caminho...ninguém 'vem' ao Pai se não por mim". Ora, é aqui que mora a angustia da alma religiosa. Depois de milênios de treinamento para pensar no Caminho como Conduta, em Verdade como Doutrina, e em Vida como Performance, quem ainda sabe intuir a simplicidade das palavras de Jesus? E pior: depois de pensar o Caminho como um "projeto", na Verdade como um “sistema”, e na Vida como um “modo de ser” conforme a religião, quem pode ainda entender o significado do chamado de Jesus? Ora, mais desgraçadamente ainda, eu pergunto: Depois de pensar no Caminho como o “Pacote da Salvação”, na Verdade como a “Certeza dos Crentes”, e na Vida como uma “Longínqua Eternidade”, quem consegue ainda discernir a concreta subjetividade do chamado de Jesus Hoje? E só para concluir: Depois de anos confundindo o Caminho com uma “Estrada Institucional”, a Verdade com a “Teologia”, e a Vida com a “Disciplina da Igreja”, quem ainda pode apenas de leve perceber o convite de Jesus para seguí-Lo no Caminho, sendo levado pelo vento, andando em Verdade no ser, e experimentando a Vida na vida? Não! A gente quer um mapa, um sistema, uma estratégia, um planejamento de curto, médio e longo prazos. A gente quer saber como acontecerá. Qual a estrutura que nos governará. Quais os sistemas que nos conduzirão. E quais os objetivos concretos a serem declarados. Ora, para mim, se discirno com alguma correção o Evangelho, o espírito é um outro. Jesus nunca organizou nada; a não ser chamar 12 para estarem mais próximos Dele; a multidão em grupos, a fim de repartir o pão; e enviou alguns antes Dele a fim de fazerem preparativos específicos. No mais, nada mais. "Não andeis ansiosos"... quanto ao vosso ministério, pois a vida é mais que o ministério. "Não vos preocupeis com o que haveis de falar, pois o Espírito vos concederá..." "Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos"... E deu a eles nada como armadura, exceto a simplicidade do poder que vem da Graça. A vitalidade do Evangelho está em se deixar conduzir pelo Espírito, conforme a verdade da vida e a vida na verdade. Para mim, o melhor governo é o menor possível; a melhor modo, é o mais simples; a melhor forma, é aquela que serve a vida; e melhor meio é aquele que vai sendo, com a leveza do vento. Eu creio que a sabedoria do caminho é deixar que o vinho designe o odre; e deixar que o pano determine a melhor veste para ele. E mais: é saber que o vinho novo sempre haverá de demandar, à cada momento ou geração, o odre apropriado; e que a veste nova haverá de ser combinada com o feitio que lhe for próprio. Assim, formas servem às essências! Para andar no Caminho tem-se que desistir do modelo industrial, ou da montagem em série, ou da franquia, ou do modelo pré-fabricado, ou de toda fixidez de formas. E não haverá formas? Ora, ninguém que vive no tempo e no espaço pode crer que as formas sejam evitáveis. Nossa dimensão demanda alguma forma: tempo e espaço produzem formas. Porém, quem deu forma aos mares, às montanhas, aos rios, às florestas, aos desertos, aos vales, e à vida? Por que não se pode confiar que Quem fez isto em rocha, pedra, areia, poeira, vegetação, e todas as demais coisas, também pode dar forma ao que é também Sua criação no coração humano, conforme cada geração? Eu acredito que a vida faz demandas, e cumpre a nós responder às questões da vida quando elas surgem, não antes delas aparecerem. O justo, também nisto, viverá pela fé. No que depender de mim meu caminho no “Caminho” continuará a caminhar conforme a água. Alguém já viu a água ter algum problema com a forma? Não! A água se serve de todas as formas. As formas servem a água, não a água às formas! O espírito da caminhada é a simplicidade. Há um só Pastor. Há um só Guia. Há um só mestre. E a Ele, conforme o espírito do Evangelho, nós todos seguiremos. Nossa segurança não está nas formas, mas no espírito do Evangelho. Onde quer que o espírito do Evangelho tenha prevalência, todas as boas formas lhe prestarão serviço; mas jamais se tornará um fim em si mesmo. Serviu, serve; não serviu, então, já não serve. A única coisa que não serve é atrofiar a Palavra para que ela fique conforme a forma e a fôrma. Por outro lado, quem precisa de uma forma apenas para garantir que ali as coisas sejam sérias? Será que o que é verdadeiro se faz verdadeiro pela forma? Ora, havendo presbíteros, que eles não sejam fiscais da vida e nem senhores da doutrina, mas gente da misericórdia e da paz; se tiver diáconos, saibam, que eles não serão porteiros de reunião, mas pessoas que só serão servos se servos forem na vida. No entanto, muitas vezes, a melhor maneira de não matar a vida espontânea é não batizá-la de modo oficial, o Espírito conduzirá as coisas conforme a pertinência. E nisto, também, o justo terá que se alegrar na aventura da fé. Minha questão é simples: Por que a gente apenas não se reúne com alegria simples, não experimenta o amor que liberta, não goza o privilégio da singeleza, não se alimenta da Palavra, e não volta à vida cheio das Boas Novas para contar ao mundo? O fato é que a mentalidade da "igreja" sempre foi a de criar uma "sociedade paralela", com todas as formas de governo secular (e hoje empresarial), a fim de que alguns sejam os donos do processo, os controladores do povo, os governadores de Deus, e os sherifes da santidade. A "igreja" quer tirar as pessoas da vida e do mundo, criando um viveiro de doentes e arrogantes. O Caminho do Evangelho, porém, não é assim. Nele as pessoas não fogem do mundo e nem da vida. Nele não tem que haver governadores e nem príncipes. Nele confia-se na Soberania de Jesus, e na efetividade de Seu poder. Nele, cada pessoa é uma testemunha no mundo, não um militante de um partido eclesiástico. O Senhor nos guiará se nós não tentarmos guiar o Senhor! Permanecendo no “Caminho”(Jesus), um dia, não muito distante, você vai começar a ver, bem diante de seus olhos, que Deus mesmo faz as coisas quando a gente fica no nosso próprio lugar. Em Cristo, a melhor maneira de agir é ser agido! Onde vai dar esse caminhO? Já deu no Pai. E nos conduzirá a cada dia no caminho da pacificação!. E continue como Abraão, que saiu, e foi, sem saber para onde ia. Daí Deus ter considerado que ele era um amigo. A grande recompensa da confiança é a amizade de Deus. Nele, que sabe o caminho por nós, posto que Ele é o Caminho.
(http://caminhocontagem.blogspot.com.br/2011/03/para-onde-caminha-o-caminho-da-graca.html)