29 de novembro de 2010

A IGREJA, A ARCA E OS MUITOS BICHOS.



Igreja, para Deus, é sempre a mesma coisa: a reunião espiritual, em Cristo, de todos os Seus filhos, e a busca de comunhão entre eles enquanto caminham pela Terra. O mais — a pregação, a adoração coletiva, o testemunho, as reuniões, os nomes, as afinidades, os gostos, as arquiteturas, as formas, as espécies — tudo isso é o que nós chamamos de “igreja” ou deixamos de reconhecer como Igreja.

Assim, no melhor dos sentidos, a Igreja de Deus é uma Grandiosa Arca de Noé.
Nós estamos todos sendo chamados em Cristo e pelo Evangelho da salvação, pelo testemunho do Espírito Santo, a sairmos de nossos próprios mundos — cada um há seu tempo e hora — e a entrarmos nessa Arca da Salvação.

Deus, porém, escolheu os bichos e os homens que entrariam naquele lugar. Sim! Escolheu as espécies e também escolheu alguns dentro de cada espécie. Só Ele sabe por que escolheu os bichos que escolheu. Muito menos sabemos nós quais bichos Ele decidiu deixar de fora.

Assim, a Arca é Cristo, o convite de Deus é o Evangelho, e os sobreviventes são todos os que atenderem ao chamado, que é algo livre e que se condiciona apenas e tão-somente à mais absoluta liberdade de Deus quanto a escolher.

Nós, que já entramos, temos que dar graças a Deus por todo aquele que, ouvindo a Palavra do Evangelho, também entra na Arca. É só uma questão de conhecer a tanto a altura e a profundidade quanto a largura e a extensão dela — e conhecer também o amor de Cristo — e a gente descobre que a Arca cresce para dentro, conforme aquele templo de Ezequiel.

Mas muitos não pensam assim...

Nós deveríamos desejar que nela coubessem todos os bichos da terra, e que todos os que já entraram se comportassem pelo menos como os bichos da Arca se comportaram. Pelo menos permanecendo cada um segundo a sua própria espécie e sem criar uma guerra dentro da Arca a fim de ver quem tomaria o controle da viagem. Isso para não falar que a maioria dos bichos que já estão dentro é profundamente seletiva quanto a que tipo de espécie deve ter mais espaço reservado na Arca.

De fato, muitos deles, caso pudessem, deixariam do lado de fora todos os que não fossem de sua própria espécie. Assim, eu celebro não as formas e nem as espécies, mas a Graça de Deus e Sua liberdade de ser Deus para todo aquele que nEle crer — ainda que eu mesmo somente creia porque dEle também eu recebi o dom da fé.

Desse modo, vou encontrando meus irmãos e irmãs em todo lugar. Vejo o selo da Graça de Deus em suas frontes e em seus olhos. E me encontro com alguns deles também em momentos e lugares definidos.

Tem bicho que gosta de botar o poleiro nas alturas. Tem bicho que gosta de ciscar. Mas a Graça de Deus trouxe para este novo mundo bichos que a maioria de nós teria pedido que tivessem desaparecido no Dilúvio. Qual das mulheres teria deixado sequer um casal de baratas se salvar?

Pedro é quem nos conta essa história, ele é que nos faz ver como fomos salvos nessa Arca da Salvação!

Ainda não chegamos ao novo mundo. Estamos todos fazendo a viagem. Temos o direito de escolher afinidades. Mas, muito acima de bichos, deveríamos ter a consciência grata pela nossa escolha para estar lá, e, ao mesmo tempo, celebrar a variedades de gostos de Deus quanto a escolher conforme a Sua Graça até os bichos de que nós não gostamos.

Seria maravilhoso se pudéssemos nos ver assim durante a viagem da mesma salvação.

O nome dessa Arca é Igreja. O nome das “igrejas” na Arca é que varia de espécie para espécie.
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