7 de março de 2009

PRA QUÊ CONGREGAR?




Ninguém deve ser avaliado pela sua freqüência às reuniões.
Cada um deve ser recebido sempre com alegria sem cobranças do tipo “até que enfim, hein?”, “está afastado da fé?”, “está se desviando?”, “não se afaste da ‘casa do Senhor’”! Estas são coisas de religiosos... O caminho do evangelho é deve ser feito no coração de cada um e não no cumprimento de deveres religiosos como presença em reuniões.
Cada um de nós é chamado para viver sua própria consciência no Evangelho sem ser escravizado a qualquer grupo ou líder.
Somos chamados à liberdade para sermos quem somos diante de Deus e não uma representação.
Sendo assim, para quê nos reunirmos? Para quê congregar?
Cada um que viva sua fé individualmente, em casa, aproveitando a disponibilidade de toda tecnologia que nos permite assistir a vídeos com músicas e mensagens sem termos que sair do sofá. Será assim mesmo? Ora, se de fato queremos andar na Graça, não será assim. A Graça não se isola, a Graça compartilha, a Graça se relaciona, a Graça interage com gente de carne e osso e não com imagens numa tela de TV ou computador; embora eu me alimente ao ouvir mensagens sozinha em minha casa, a Graça me leva a outros, ao meu semelhante, a Graça me atrai à aqueles que caminha comigo.
Bem, antes de falar para quê congregar, deixe-me dizer para que NÃO congregar:


1) Não congregue para ser visto pelos homens.


É só dizer que ninguém mais marcará ponto na “igreja” pela presença, que alguns deixam de freqüentar! É simples: eles vinham para serem vistos; agora que não serão mais avaliados pela presença, perdeu-se o incentivo da presença!Não participe de “cultos” ou quaisquer outras reuniões para fazer bonito para o pastor ou para os líderes. Portanto, devemos fazer como Jesus: convidava as pessoas para segui-lo; quem aceitava, seguia; quem não aceitava, não seguia, e Jesus não ficava pressionando, deixava ir. Apenas chamava e incentivava: não tenho onde reclinar a cabeça negue-se a si mesmo, calcule o custo, deixe os mortos sepultar seus próprios mortos, vai vende tudo o que tem e volte; a partir daí era com a pessoa. Fuljamos da pressão dos números, da avaliação do “sucesso espiritual” pela quantidade de freqüentadores. Viver o Evangelho com aqueles que estiverem juntos é o nosso desejo, seja com dois ou três!Assim, ninguém julgue o outro por faltar às reuniões. Cada um ame o outro, respeite o outro, tenha alegria na presença do outro, incentive o outro a participar e deixe-o em paz para seguir ou não.


2) Não congregue para fazer barganha com Deus.


Muitos participam de “reuniões de igreja” para conquistarem as bênçãos de Deus.
Querem agradar a Deus pelo esforço próprio; querem marcar presença “diante do trono de Deus”.Querem que Deus veja o quanto eles são consagrados a fim de merecerem os favores divinos.Pessoas assim, ficam decepcionadas quando algo não dá certo pra elas; avaliam: fizemos tudo direitinho e Deus não fez a parte dele. Parece que ele nem viu; oramos, jejuamos, demos dízimo, não faltamos aos cultos e olha só o que aconteceu! E então deixam Deus de castigo e não vão mais às reuniões. Ou então dizem que aquela “igreja” não é ungida porque eles participaram das reuniões e enfrentaram problemas pessoais, perdas, tragédias.
Que pena! Pessoas assim não aprenderam a descansar na Graça.Líderes religiosos espertos ou mau orientados, aproveitam esta ânsia por barganhar com Deus através de exercícios espirituais, supostamente sagrados, e escravizam as pessoas às suas reuniões; sete semanas de libertação, corrente de oração de sete dias para quebra de maldições, e muitos outros artifícios que possam erroneamente extrair das experiências do Velho Testamento, da meninice da fé, abandonando rapidamente o Evangelho de Jesus.
Portanto, quem quiser me julgar, fique à vontade para fazê-lo, pois que não haja da minha parte nenhum tipo de barganha com Deus, e nem uma aparente espiritualidade, que negue vida em fé, pela Graça. Que possamos nos reunir por amor a Deus e ao próximo.


3) Não congregue para fugir da ira de Deus.


Muitas pessoas se atormentam caso não possam freqüentar um culto.Temem a ira divina.
Se tiverem se comprometido com uma corrente santa e não podem comparecer, entram em desespero. Vão à reuniões estimuladas pelo receber; e se algo ruim acontecem em sua vida, logo concluem que é por causa da ausência aos “cultos”e decidem que precisam voltar para a “casa de Deus”.Aí passam a freqüentar todas as reuniões: Escola Bíblica, Culto a noite, quarta-feira, reunião de oração, ensaio do coral, etc., etc... E reclamam porque não tem mais reuniões para extravasarem a espiritualidade. Aí os problemas aparecem e concluem que não adiantou... Vive uma ciranda de culpa e de revolta.
Não devemos nos esquecer que Deus não nos avalia pela presença em reuniões e não está pronto a desferir seus raios contra os faltosos. Jesus disse que Deus espera adoradores que o adorem em espírito e em verdade, não num monte nem num templo, mas no coração, onde estiver.
A nossa vida deve ser um culto ou de nada adiantará o “culto”; este será apenas exercício religioso, será barganha com Deus, que não tem valor nenhum para santificar minha vida nem para me aproximar de Deus como filha amada.
Portanto, não congregue por medo da ira de Deus, congregue pelo AMOR de Deus por você, atraído por ele e com coração aberto para ele em fé.


Então, para quê congregar?


O escritor aos hebreus disse: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia”. Eis aí a razão; quem conhece a Graça se reúne, não para se mostrar, não para barganhar com Deus nem para fugir da sua ira. Reúne como expressão de seu amor e gratidão, reúne para encorajar os demais a permanecerem firmes!
Como diz o Caio Fábio: Que nossos encontros não devem visar centralizar as forças, organizar as ações de poder, coordenar a produção dos 'frutos' e 'divinizar' a visão e a pregação do 'método'; mas apenas renovar as alegrias da fé e da esperança, fortalecer o amor, e devolver as pessoas à vida com a simplicidade do sal e da luz. Ou seja: com sabor e boas obras. De minha parte quero apenas ver os discípulos de Jesus crescendo em vida com Deus, em amizade clara e respeito uns para com os outros, em saúde relacional na vida. Gente descomplicada e desvisciada de 'igreja', e com liberdade de escolhas pessoais, conforme a consciência de cada um e segundo a Verdade Absoluta que nos molda a mente conforme Sua vontade. O que chamamos igreja devem ser esse lugar de bom ânimo e adoração. O ideal é que tais encontros gerem amizade, e que pela amizade as pessoas se ajudem; mas não apenas em razão de certo espírito maçônico-comunitário, conforme se vê... Ou porque se deu alguma contribuição financeira no lugar. A verdadeira igreja não tem sócios ou associados... Tem apenas gente que se reúne e ajuda a manter a tudo aquilo que promove a Palavra na Terra. Portanto, não se trata de um movimento 'sacerdotal', intimista e fechado; mas sim de um andar profético, aberto e contínuo. Então, ou se quer uma “igreja” que exista e em função de si mesma, e para dentro; ou se tem um 'caminho de discípulos', e que se encontram, mas que não fazem do encontro a razão de ser da vida. A meu ver, no dia em que prevalecer o modelo conforme Jesus no Evangelho, a vida vai arrebentar em flores e frutos entre nós e no mundo a nossa volta; e as pessoas serão sempre muito mais humanas e sadias.Mas se continuar a prevalecer o modelo de igreja tal qual aqui tem sido denunciado, não se terá jamais nada além do que se teve nesses últimos dois mil anos... Nada diferente disso!Temos um lugar para nos reunirmos aos domingos: para quê IR a este lugar?“O propósito como lugar de reuniões não é viver para sua própria manutenção institucional, mas ser um lugar de bom ânimo no Caminhar de Fé dos discípulos de Jesus, afim de que recebam Ministração da Palavra de Deus, e ganhem convicção inabalável de que o Amor de Deus permanece Incondicional, que o caminho está aberto, que há perdão disponível, visto que o Pai nos recebe em festa; que se pode ser achado, que se pode reviver para Deus como uma nova criatura; para aí então, ser devolvido a terra e misturado ao mundo, para ser SAL e LUZ! Sendo em Cristo tudo que se É, posto que em Cristo se ESTÁ para sempre!Não somos um lugar enquanto manifestação física e geográfica do mero ajuntamento de pessoas, e nem, como representação legítima e legal de onde Deus está. Mas, somos um lugar enquanto a simples manifestação existencial do ajuntamento de "gente-boa-de-Deus" que acontece em torno de Jesus.
Portanto... Ao congregar o faça com o coração aberto para o próximo, alegre-se com aquelas pessoas que se reúne com você; faça novas amizades! Compartilhar sua vida ouça a mensagem do Evangelho, entre com fé e saia em fé; seja Igreja onde você estiver. Em Cristo, nosso querido Salvador, em nome de quem devemos nos reunir!
(Adaptação do texto de Adailton César)